UNIVERSIDADE
ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO
DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE:
MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE:
DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º
SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO
FICHAMENTO: A
CO-LABORAÇÃO NA/EM REDE.
Lynn Alves / Ricardo
Japiassu / Tânia Maria Hetkowski
Estamos interconectados com o mundo. É essa a
sensação que temos ao sermos bombardeados de informações que são veiculadas
pelas diferentes mídias impressas, sonoras, televisivas e telemáticas. A Galáxia
de Gutemberg vem sendo, nos últimos quarenta anos, invadida por uma nova forma
de comunicar, de produzir conhecimentos e saberes - a comunicação através das
redes digitais e, em especial, da Internet [1] que,
desde as experiências iniciais da Arpanet (EUA) e
do Minitel (França), vem crescendo vertiginosamente. Isso torna impossível
apontar, nesse momento, dados numéricos deste crescimento que está em constante
mutação. Pag.(01)
Nestes últimos tempos, o computador tornou-se algo
mais do que um misto de ferramenta e espelho: temos agora a possibilidade de
passar para o outro lado do espelho. Estamos a aprender a viver em mundos
virtuais. Por vezes, é sozinhos que navegamos em oceanos virtuais, desvendamos
mistérios virtuais e projetamos arranha-céus virtuais. Porém, cada vez mais,
quando atravessamos o espelho, deparam-se-nos outras pessoas. Pag.(01)
É importante revelar que o entendimento do processo
de construção co-laborativa do conhecimento cuja ênfase recai em suas origens
sociais e históricas, isto é, num conhecer orientado inicialmente no sentido do
coletivo para o sujeito, não emerge apenas com o amplo uso instrumental das
mídias telemáticas na Educação nem tampouco constitui uma abordagem
"nova" aos processos de aprendizado e desenvolvimento humanos.
Pag.(01).
Trata-se de uma perspectiva que, embora esteja
sendo cada vez mais adotada por estudiosos para o exame das complexas relações
entre Educação e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), [1] inaugura-se já na década de 1920 do século passado
com a formação da escola russa de psicologia - também conhecida como
psicologia sócio-histórica e psicologia histórico-cultural ou ainda psicologia
cultural. Pag.(01).
Iniciada por
Vygotsky [2] e posteriormente desenvolvida por Luria [3] e Leontiev [4] - entre muitos outros cientistas russos - a psicologia
histórico-cultural defende que o aprendizado e o desenvolvimento
tipicamente humanos só podem ocorrer a partir da internalização
(interiorização) das funções interpsíquicas (entre sujeitos). Estas funções
interpsíquicas são co-laboradas (construídas conjuntamente) e mediadas por ferramentas
concretas (machado e computador, por exemplo) e instrumentos psicológicos
de natureza imaterial (como é o caso do uso de signos na comunicação e
pensamento verbal). Pag.(02).
Na perspectiva cultural de interpretação do
desenvolvimento humano portanto é a partir das complexas interrelações sociais
(microgênese) e históricas (macrogênese), obrigatoriamente MEDIADAS pelo uso
instrumental das ferramentas e signos ao longo da filogênese (percurso
evolutivo inter-espécies) e da ontogênese (percurso desenvolvimental
intra-espécie), que se criam enfim as condições materiais e imateriais para a
co-laboração das funções psíquicas "superiores" ou funções
psíquicas culturais (a mnemotécnica, a imaginação criadora, a percepção
descolada do campo perceptivo sensorial do sujeito, o pensamento verbal, por
exemplo). [5]. Pag.(02).
A prática pedagógica, quando mediada pelas TIC,
altera a função educacional do professor e a sua compreensão do contexto educativo
- o qual é necessariamente (in)formado por diversas outras práticas cotidianas
(política, ética, econômica etc). Essas práticas orientam e deflagram as ações
dos professores e imprimem significados à vida profissional dos docentes. Em
suas práticas pedagógicas os profissionais da educação representam, consciente
ou inconscientemente, divergências e/ou convergências para com as mudanças
macro e microcontextuais. Pag.(02).
Os mecanismos subjacentes às suas representações
sociais são intensamente penetrados pelos interesses, ideologias, dilemas,
conhecimentos, crenças, persuasões e outros vários fatores. Estes mecanismos
produzem portanto saberes que legitimam as práticas no/do contexto
sociocultural no qual os professores se encontram aconchegados - e com o qual
interagem ativamente. Por sua vez, dialeticamente, o contexto sociocultural de
que são parte proporciona - e legitima - a sua co-laboração insubstituível e
pessoal de valores e sentidos. Pag .(02,03).
Portanto, as TIC entram na escola como dispositivos
técnicos e as práticas pedagógicas continuam pautadas em velhos paradigmas,
apenas com uma diferença: retira-se a centralidade do professor transferindo-a
para as TIC. Essa transferência é preocupante, sendo imprescindível
discutirem-se possibilidades de inversão da lógica perversa desta hierarquia
vertical dominante, para superar-se assim a "passividade" na
apropriação de saberes. O ciberespaço, deste ponto de vista, precisa então ser
concebido como lugar de inovação, de co-laboração social, política e de
mobilidade das práticas pedagógicas. Afinal, as práticas pedagógicas
desenvolvem-se em contextos muito amplos, não são unívocas nem lineares; são
fluidas e levam em consideração situações muito peculiares para o
estabelecimento de processos comunicativos. Pag. (03).
Recorrer a esses eixos norteadores significa
reconhecer que a mudança na educação "não depende diretamente do
conhecimento, porque a prática educativa é uma prática histórica e social que
não se constrói a partir de um conhecimento científico, como se tratasse de uma
aplicação tecnológica." [5] (SACRISTÁN). Qualquer mudança implica a dialética
conhecimento-ação. Trata-se de algo inerente a toda atividade humana - a qual
interconecta-se com vários contextos onde, por sua vez, acontecem múltiplas
práticas. Significa, em outras palavras, dizer que as práticas pedagógicas não
são lineares, mas dinâmicas e potencializadoras do conhecimento mediado pelas
TIC. Pag.(03,04).
A literatura especializada costuma justificar a
"recusa" de educadores e educandos em fazerem uso deste tipo de
ambiente para promoção da atividade co-laborativa atribuindo-a, basicamente, a
três fatores: (1) os sujeitos têm que aprender a lidar com a diferença, o que
sempre é algo complexo; (2) esses ambientes solicitam posturas intelectuais
autônomas e processos co-laborativos de/em grupo (algo que a escolarização
tradicional tem falhado em promover); e (3) as pessoas necessitam apropriar-se
dos recursos informáticos e suportes tecnológicos - o que, para muitos, é algo
novo e ainda distante das suas competências econômicas e culturais. Pag.(04).
A atividade pedagógica mediada pelas redes digitais
proporciona então a criação de novas práticas instituintes. Mas, embora a
atividade pedagógica instituinte tenha raízes nas práticas educacionais já
institucionalizadas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, apresenta-se como
desafio ao status quo . Um desafio que converte-se em movimento
instituinte por solicitar dos agentes pedagógicos a transgressão do
movimento "linear" de ensinar e aprender, ou seja, por gerar a
necessidade de mudança nas práticas pedagógicas. Pag.(04).
É importante ressaltar também que as dificuldades
para a implementação do auto-aprendizado assinaladas aqui não dizem respeito
apenas às comunidades telemáticas (CVA). Elas existem e persistem no cotidiano
das relações pedagógicas presenciais, seja nos espaços de ensino-aprendizado
formais , isto é, no âmbito das organizações educacionais, seja em diferentes
espaços de aprendizado - como a rua, por exemplo. Pag.(05).
Co-laborando o aprendizado autônomo
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Cotidianamente vemos emergir novas CVAs na/em Rede
(WEB). Contudo, observa-se que os agrupamentos de sujeitos mediados pelas TIC
tendem a desaparecer com a mesma rapidez com que surgem. Acredita-se que isso
ocorra em razão de, no âmbito desses e-coletivos, não serem promovidas práticas
genuinamente co-laborativas. A efemeridade das CVAs é uma questão que,
efetivamente, necessita ainda ser melhor e exaustivamente investigada.
Pag.(05).
Na configuração política, social, econômica e
educacional excludente atual, típica da pós-modernidade, a co-laboração em/na
Rede pode ser, contraditoriamente, uma alternativa às tradicionais práticas
autoritárias que têm caracterizado as relações de poder nas organizações e
empreendimentos educativos no capitalismo tardio. Pag.(06).
A co-laboração na/em Rede, sem dúvida, pode
contribuir para a emancipação do sujeito engajando-o em um genuíno processo de
construção autônoma de novos conhecimentos e saberes. Ao deparar-se com a voz e
os enunciados do OUTRO, em e-coletivos que estejam abertos à uma participação
"horizontal" de todos, o aprendiz põe em movimento a sua capacidade
de tolerar o pensamento divergente, de respeitar as crenças e convicções dos
diferentes grupos humanos e de considerar legítimos os pontos de vista da
alteridade - de modo não submisso no entanto. Pag.(06).
Os sujeitos em CVAs que promovem a co-laboração são
potencialmente pares, co-autores e co-construtores de inúmeros processos de
criação, atuação e significação. Isso favorece a consolidação de uma inteligência
coletiva que se caracteriza "por ser globalmente, distribuída,
incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que conduz a uma
mobilização efetiva das competências." [5] Que possui como "palavras de ordem" os
seguintes aforismas: cada um tem um saber, ninguém sabe tudo e todo o saber
está na humanidade. Pag.(06).
A co-laboração portanto implica o desenvolvimento
de processos interacionistas que visam encorajar os sujeitos a atuarem
em conjunto para a construção de diferentes conhecimentos e saberes,
enfatizando a co-autoria (DIAS). Pag.(07).
Nessa perspectiva, a contribuição pessoal do
aprendiz é fundamental para a construção do conhecimento. Isso faz com que o
processo de aprendizado de todos ganhe maior amplitude e dimensão. (OKADA). [8] A metáfora dos corais, neste caso, é oportuna
porque "para entender a noção de comunidade virtual, acho que devemos
saber que ser uma esponja pode ser até algo bom, mas não ajuda a construir a
comunidade: os corais constroem a comunidade pela secreção de cada indivíduo e
pela ajuda mútua. J " [9]. Pag.(07).
A atividade co-laborativa genuína só pode ocorrer a
partir da premissa da interatividade - interatividade aqui entendida de
modo a ultrapassar a relação solitária do sujeito com as interfaces e seus agentes
humanos e artificiais. É só através da interatividade que pode ocorrer a
participação criativa dos usuários nos sistemas e - o mais importante -
realizar-se a interação e as trocas entre os membros de uma comunidade.
Pag.(07).
Só na perspectiva das "razões
qualitativas" teríamos portanto a possibilidade de alcançar aquilo que
Lèvy [12] denominou de "terceiro nível de
interatividade", uma comunicação não mais do tipo Um-Todos , nem Um-Um
, mas do tipo Todos-Todos , em que os sujeitos poderiam livremente
trocar, negociar e intercambiar diferentes saberes ao mesmo tempo. Pag.(07).
Atuar co-laborativamente vai além de tomar parte
nos desgastados "trabalhos em grupo" - que tiveram ampla divulgação
com a difusão, penetração e corruptela das idéias renovadoras da Escola Nova nas práticas educacionais nacionais. [21] No escolanovismo, entre outros princípios
pedagógicos, destacam-se técnicas de ensino nas quais os alunos são encorajados
a realizar tarefas em grupo. Essas técnicas - ao serem implementadas na
escolarização - ressaltam sobretudo os aspectos afetivos do processo de
ensino-aprendizado. Isso teria conduzido - segundo algumas análises críticas da
Escola Ativa - a um "psicologismo" exarcebado das práticas
pedagógicas escolares no país, esvaziando-as dos seus originais conteúdos
sociais, políticos e econômicos. Pag.(08).
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Cooperação e co-laboração
Na década de setenta Johnson e
Johnson desenvolveram um método de aprendizado cooperativo denominado “aprender juntos”. Para esses pesquisadores a cooperação
fundamenta-se no desempenho de uma tarefa em grupo com um único objetivo em
comum. [1]
Segundo Espinosa,
No grupo colaborativo todo o conhecimento é
construído conjuntamente e negociado, havendo um fluxo de comunicação
bidirecional contínuo. Enquanto no grupo cooperativo a comunicação pode ser
unidirecional, isto é, quando algum aluno assume um papel de expertise,
explicando determinadas idéias ao grupo, e em outros momentos é
multidirecional, quando os membros do grupo buscam alternativas e tomam
decisões. Na cooperação se produzem consultas sobre o feito de cada um e a
colaboração vai se fazendo conjuntamente ... A colaboração seria equivalente ao
que anteriormente temos definido como situações de alta cooperação
(terminologia de Hertz-Lazarowitz) ou grupos cooperativos de alto rendimento
(segundo denominação de Johnson, Johnson e Holubec). (p. 110-111). Pag.(09,10).
Neste sentido Ovejero citado por Almenara (2003) [8] chama a atenção para o fato de a atividade
co-laborativa levar em conta o princípio geral da intervenção - que não se
refere ao simples somatório das contribuições pessoais mas, ao contrário, à
interação omnilateral no âmbito da CVA, em busca do alcance de objetivos
previamente negociados no/pelo e-coletivo. Portanto um sujeito somente
conseguiria obter verdadeiro êxito pessoal neste tipo de empreendimento
pedagógico se os demais participantes estiverem sinceramente engajados no
processo dialógico da co-laboração de saberes e práticas na/em Rede
(interdependência positiva). Pag.(10).
Espinosa resume esses três pressupostos da
atividade colaborativa ao afirmar que “o trabalho colaborativo exige dos
participantes habilidades comunicativas; técnicas interpessoais; relações
simétricas e recíprocas; desejos de compartilhar a resolução da tarefa
(responsabilidade individual no alcance do êxito do grupo).” [10]. Pag.(11).


Muito bom o texto. Verdade,as novas tecnologias baseadas nos padrões da internet estão facilitando
ResponderExcluirimensamente a troca de informações e o compartilhamento de conhecimentos entre as rede. Na rede há uma grande interatividade entre usuários, independente do espaço físico que eles estão ocupando. Os usuários podem agir, opinar, dá ideias e descordar e concordar com a informação.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir(Corrigindo meu comentário anterior) Com certeza colegas, e todo esse processo de comunicação e interatividade ocorre de forma simultânea, o que torna os diálogos e trocas de informações ainda mais interessantes.
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