UNIVERSIDADE
ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO
DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE:
MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE:
DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º
SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO
FICHAMENTO:
SALA DE AULA INTERATIVA A EDUCAÇÃO PRESENCIAL E À DISTÂNCIA EM SINTONIA COM A
ERA DIGITAL E COM A CIDADANIA.
Marco
Silva.
A
disposição interativa permite ao usuário ser ator e autor fazendo da
comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria
mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de
ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos. O usuário pode
ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar
qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar. (pag. 2).
Seja
lá o nome que se dê, era digital, cibercultura, sociedade de informação ou
sociedade em rede, o fato é que em nosso tempo a interatividade é desafio não
só para os gestores da velha mídia, mas para todos os agentes do processo de
comunicação. (pag.2)
Tudo
isso, traduzido em estratégias que articulam emissão e recepção, garante a
“audiência” e prepara o casamento inevitável da tv com a internet. Ocasião em
que o indivíduo não dependerá mais do velho aparelho analógico de tela estática
e intransponível. Ele poderá abrir janelas móveis e tridimensionais e adentrar
à procura de mais informações e comunicação, quando estiver assistindo a um
noticiário ou a uma partida de futebol. (pag.3)
A
inquietação dos empresários e programadores de tv diante da interatividade não
encontra eco na escola e nos sistemas de ensino. É preciso despertar o
interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos em sala de
aula presencial e virtual. É preciso enfrentar o fato de que tanto a mídia de
massa quanto a sala de aula estão diante do esgotamento do mesmo modelo
comunicacional que separa emissão e recepção.
(pag. 3)
“Portanto,
seja na sala de aula “inforrica” (equipada com computadores ligados à
Internet), seja no site de educação à distância, seja na “teles sala”, seja na
sala de aula infopobre”, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento
não está mais centrado na emissão. É preciso perceber que doravante os atores
da comunicação têm a interatividade e não apenas a separação da emissão e
recepção própria da mídia de massa e dos sistemas de ensino. (pag. 3-4)
Interatividade
é um conceito de comunicação e não de informática. Pode ser empregado para
significar a comunicação entre interlocutores humanos, entre humanos e máquinas
e entre usuário e serviço. No entanto, para que haja interatividade é preciso
garantir duas disposições basicamente: 1. A dialógica que associa emissão e
recepção como pólos antagônicos e complementares na co-criação da comunicação;
2. A intervenção do usuário ou receptor no conteúdo da mensagem ou do programa
abertos a manipulações e modificações. (pag. 5)
De
fato, o computador se encontra diretamente associado ao termo exatamente porque
na sua memória imagens, sons e textos são convertidos em bits de modo a sofrer
qualquer tipo de manipulação e interferência, sem degradação ou perda da
informação. Os objetos são virtuais, isto é, definidos matematicamente e
processados por algoritmos. (pag. 6)
Nesse
caso se diz que o computador é “conversacional” para diferencia-lo dos meios
massivos unidirecionais, exatamente porque permite o dialogo da emissão e
recepção. Isto é, o objeto na memória do computador e as decisões do usuário
são pólos antagônicos e complementares, permitindo assim a experiência da
comunicação, da co-criação. E se o computador está conectado à internet,
amplia-se o leque de disposições que convidam o usuário a operar como
intervenção, bidirecionalidade e múltiplas conexões em rede. (pag. 6)
Só
esse grau mais elevado contempla os aspectos fundamentais da interatividade que
podem ser encontrados em sua complexidade na arquitetura hipertextual6 do
computador e do ciberespaço. São três basicamente: (pag. 7)
1. Participação-intervenção:
participar não é apenas responder “sim” ou “não” ou escolher uma opção dada,
significa interferir na mensagem de modo sensóriocorporal e semântico; 2.
Bidirecionalidade-hibridação: a comunicação é produção conjunta da emissão e da
recepção, é co-criação, os dois pólos codificam e decodificam; 3.
Permutabilidade-potencialidade: a comunicação supõe múltiplas redes
articulatórias de conexões e liberdade de trocas, associações e significações
potenciais. (pag. 7)
Mesmo
tão associada ao computador e à internet, é preciso insistir: interatividade é
um conceito de comunicação e não de informática. Antes do computador
conversacional é possível encontrar a expressão mais depurada do termo na arte
“participacionista”7 da década de 1960, definida também como “obra aberta”8. O
que permite garantir que interatividade não é uma novidade da era digital.
(pag. 7)
O
indivíduo veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos
coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou dançando.
Oiticica o convida a participar do tempo da criação de sua obra e oferece
entradas múltiplas e labirínticas que permitem a imersão e intervenção do
“participador”, que nela inscreve sua emoção, sua intuição, seus anseios, seu
gosto, sua imaginação, sua inteligência. (pag. 8)
O
professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à distância
para a recepção audiovisual ou “bancária” (sedentária, passiva), como criticava
o educador Paulo Freire. Ele propõe o conhecimento aos estudantes, como o
artista propõe sua obra potencial ao público. (pag. 8)
A
participação do aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento
arquitetados pelo professor de modo que evoluam em torno do núcleo preconcebido
com coerência e continuidade. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir,
copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se
co-autor. (pag. 9)
Uma
pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria, à interatividade, requer a
morte do professor narcisicamente investido do poder. Expor sua opção crítica à
intervenção, à modificação requer humildade. Mas diga-se humildade e não
fraqueza ou minimização da autoria, da vontade, da ousadia. (pag. 9)
Ela
não contempla a participação do aluno na construção do conhecimento e da
própria comunicação. O grande discurso moderno centrado na educação escolar
sempre conviveu esse impedimento: o peso de uma tradição bem formulada por
Pierre Lévy quando diz: “a escola é uma instituição que há cinco mil anos se
baseia no falar-ditar do mestre”. (pag. 10)
A
sala de aula presencial e à distância segue os três fundamentos citados
anteriormente. Entretanto, é preciso considerar que a distinção “presencial” e
“à distância” será cada vez menos pertinente quanto mais se popularizarem as
tecnologias digitais. As duas modalidades coexistirão: o uso da web, dos
suportes multimídia e a sala de aula tradicional com professor e alunos frente
a frente. (pag. 10-11)
1.
Pressupor a participação-intervenção dos alunos, sabendo que participar é muito
mais que responder “sim” ou “não”, é muito mais que escolher uma opção dada;
participar é atuar na construção do conhecimento e da comunicação; 2. Garantir
a bidirecionalidade da emissão e recepção, sabendo que a comunicação e a
aprendizagem são produção conjunta do professor e dos alunos; 3. Disponibilizar
múltiplas redes articulatórias, sabendo que não se propõe uma mensagem fechada,
ao contrário, se oferece informações em redes de conexões permitindo ao
receptor ampla liberdade de associações, de significações; 4. Engendrar a
cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre
alunos e professor como co-criação e não no trabalho solitário; 5. Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades,
sabendo que a fala livre e plural supõe lidar com as diferenças na construção
da tolerância e da democracia. (pag. 11)
Estas são habilidades necessárias para o
professor aproveitar ao máximo o potencial das novas tecnologias em sala de
aula. (pag. 11)
O
hipertexto é o novo paradigma tecnológico que liberta o usuário da lógica
unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a relação do usuário com a
informação gerando um ambiente conversacional que não se limita à lógica da
distribuição. (pag. 12)
Assim
a interatividade e o hipertexto convidam o professor a considerar a necessidade
de modificar a comunicação centrada na emissão do professor contador de
história inspirando-se para isso no designer de software. (pag.13)
O
designer de software constrói uma rede e não uma rota. Ele define territórios
abertos a exploração e conteúdos predispostos a interferências e modificações.
Mas é preciso tomar cuidado! Não se trata de comparar o profissional
transtemporal, historicamente comprometido com a educação do sujeito e da
sociedade, com o jovem profissional informata gerado pelo espírito do nosso
tempo. (pag. 13)
Então
é preciso enfatizar: o essencial não é a tecnologia, mas um novo estilo de
pedagogia sustentado por uma modalidade comunicacional que supõe
interatividade, isto é, participação, cooperação, bidirecionalidade e
multiplicidade de conexões entre informações e atores envolvidos. Mais do que
nunca o professor está desafiado a modificar sua comunicação em sala de aula e
na educação. Isso significa modificar sua autoria enquanto docente e inventar
um novo modelo de educação. Como diz Edgar Morin, “Hoje, é preciso inventar um
novo modelo de educação, já que estamos numa época que favorece a oportunidade
de disseminar um outro modo de pensamento”. A época é essa! : a era digital, a
sociedade em rede, a sociedade de informação, a cibercultura. (pag. 15)



