sábado, 2 de abril de 2016

FICHAMENTO: SALA DE AULA INTERATIVA A EDUCAÇÃO PRESENCIAL E À DISTÂNCIA EM SINTONIA COM A ERA DIGITAL E COM A CIDADANIA.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE: DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO


FICHAMENTO: SALA DE AULA INTERATIVA A EDUCAÇÃO PRESENCIAL E À DISTÂNCIA EM SINTONIA COM A ERA DIGITAL E COM A CIDADANIA.
Marco Silva.

A disposição interativa permite ao usuário ser ator e autor fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos. O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar. (pag. 2).
Seja lá o nome que se dê, era digital, cibercultura, sociedade de informação ou sociedade em rede, o fato é que em nosso tempo a interatividade é desafio não só para os gestores da velha mídia, mas para todos os agentes do processo de comunicação. (pag.2)
Tudo isso, traduzido em estratégias que articulam emissão e recepção, garante a “audiência” e prepara o casamento inevitável da tv com a internet. Ocasião em que o indivíduo não dependerá mais do velho aparelho analógico de tela estática e intransponível. Ele poderá abrir janelas móveis e tridimensionais e adentrar à procura de mais informações e comunicação, quando estiver assistindo a um noticiário ou a uma partida de futebol. (pag.3)
A inquietação dos empresários e programadores de tv diante da interatividade não encontra eco na escola e nos sistemas de ensino. É preciso despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos em sala de aula presencial e virtual. É preciso enfrentar o fato de que tanto a mídia de massa quanto a sala de aula estão diante do esgotamento do mesmo modelo comunicacional que separa emissão e recepção.  (pag. 3)
“Portanto, seja na sala de aula “inforrica” (equipada com computadores ligados à Internet), seja no site de educação à distância, seja na “teles sala”, seja na sala de aula infopobre”, é preciso ir além da percepção de que o conhecimento não está mais centrado na emissão. É preciso perceber que doravante os atores da comunicação têm a interatividade e não apenas a separação da emissão e recepção própria da mídia de massa e dos sistemas de ensino. (pag. 3-4)
Interatividade é um conceito de comunicação e não de informática. Pode ser empregado para significar a comunicação entre interlocutores humanos, entre humanos e máquinas e entre usuário e serviço. No entanto, para que haja interatividade é preciso garantir duas disposições basicamente: 1. A dialógica que associa emissão e recepção como pólos antagônicos e complementares na co-criação da comunicação; 2. A intervenção do usuário ou receptor no conteúdo da mensagem ou do programa abertos a manipulações e modificações. (pag. 5)
De fato, o computador se encontra diretamente associado ao termo exatamente porque na sua memória imagens, sons e textos são convertidos em bits de modo a sofrer qualquer tipo de manipulação e interferência, sem degradação ou perda da informação. Os objetos são virtuais, isto é, definidos matematicamente e processados por algoritmos. (pag. 6)
Nesse caso se diz que o computador é “conversacional” para diferencia-lo dos meios massivos unidirecionais, exatamente porque permite o dialogo da emissão e recepção. Isto é, o objeto na memória do computador e as decisões do usuário são pólos antagônicos e complementares, permitindo assim a experiência da comunicação, da co-criação. E se o computador está conectado à internet, amplia-se o leque de disposições que convidam o usuário a operar como intervenção, bidirecionalidade e múltiplas conexões em rede. (pag. 6)
Só esse grau mais elevado contempla os aspectos fundamentais da interatividade que podem ser encontrados em sua complexidade na arquitetura hipertextual6 do computador e do ciberespaço. São três basicamente: (pag. 7)
1.    Participação-intervenção: participar não é apenas responder “sim” ou “não” ou escolher uma opção dada, significa interferir na mensagem de modo sensóriocorporal e semântico; 2. Bidirecionalidade-hibridação: a comunicação é produção conjunta da emissão e da recepção, é co-criação, os dois pólos codificam e decodificam; 3. Permutabilidade-potencialidade: a comunicação supõe múltiplas redes articulatórias de conexões e liberdade de trocas, associações e significações potenciais. (pag. 7)

Mesmo tão associada ao computador e à internet, é preciso insistir: interatividade é um conceito de comunicação e não de informática. Antes do computador conversacional é possível encontrar a expressão mais depurada do termo na arte “participacionista”7 da década de 1960, definida também como “obra aberta”8. O que permite garantir que interatividade não é uma novidade da era digital. (pag. 7)
O indivíduo veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou dançando. Oiticica o convida a participar do tempo da criação de sua obra e oferece entradas múltiplas e labirínticas que permitem a imersão e intervenção do “participador”, que nela inscreve sua emoção, sua intuição, seus anseios, seu gosto, sua imaginação, sua inteligência. (pag. 8)
O professor propõe o conhecimento. Não o transmite. Não o oferece à distância para a recepção audiovisual ou “bancária” (sedentária, passiva), como criticava o educador Paulo Freire. Ele propõe o conhecimento aos estudantes, como o artista propõe sua obra potencial ao público. (pag. 8)
A participação do aluno se inscreve nos estados potenciais do conhecimento arquitetados pelo professor de modo que evoluam em torno do núcleo preconcebido com coerência e continuidade. O aluno não está mais reduzido a olhar, ouvir, copiar e prestar contas. Ele cria, modifica, constrói, aumenta e, assim, torna-se co-autor.  (pag. 9)
Uma pedagogia baseada nessa disposição à co-autoria, à interatividade, requer a morte do professor narcisicamente investido do poder. Expor sua opção crítica à intervenção, à modificação requer humildade. Mas diga-se humildade e não fraqueza ou minimização da autoria, da vontade, da ousadia. (pag. 9)
Ela não contempla a participação do aluno na construção do conhecimento e da própria comunicação. O grande discurso moderno centrado na educação escolar sempre conviveu esse impedimento: o peso de uma tradição bem formulada por Pierre Lévy quando diz: “a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar-ditar do mestre”. (pag. 10)
A sala de aula presencial e à distância segue os três fundamentos citados anteriormente. Entretanto, é preciso considerar que a distinção “presencial” e “à distância” será cada vez menos pertinente quanto mais se popularizarem as tecnologias digitais. As duas modalidades coexistirão: o uso da web, dos suportes multimídia e a sala de aula tradicional com professor e alunos frente a frente.  (pag. 10-11)
1. Pressupor a participação-intervenção dos alunos, sabendo que participar é muito mais que responder “sim” ou “não”, é muito mais que escolher uma opção dada; participar é atuar na construção do conhecimento e da comunicação; 2. Garantir a bidirecionalidade da emissão e recepção, sabendo que a comunicação e a aprendizagem são produção conjunta do professor e dos alunos; 3. Disponibilizar múltiplas redes articulatórias, sabendo que não se propõe uma mensagem fechada, ao contrário, se oferece informações em redes de conexões permitindo ao receptor ampla liberdade de associações, de significações; 4. Engendrar a cooperação, sabendo que a comunicação e o conhecimento se constroem entre alunos e professor como co-criação e não no trabalho solitário; 5. Suscitar a expressão e a confrontação das subjetividades, sabendo que a fala livre e plural supõe lidar com as diferenças na construção da tolerância e da democracia. (pag. 11)
 Estas são habilidades necessárias para o professor aproveitar ao máximo o potencial das novas tecnologias em sala de aula. (pag. 11)
O hipertexto é o novo paradigma tecnológico que liberta o usuário da lógica unívoca da mídia de massa. Ele democratiza a relação do usuário com a informação gerando um ambiente conversacional que não se limita à lógica da distribuição. (pag. 12)
Assim a interatividade e o hipertexto convidam o professor a considerar a necessidade de modificar a comunicação centrada na emissão do professor contador de história inspirando-se para isso no designer de software. (pag.13)
O designer de software constrói uma rede e não uma rota. Ele define territórios abertos a exploração e conteúdos predispostos a interferências e modificações. Mas é preciso tomar cuidado! Não se trata de comparar o profissional transtemporal, historicamente comprometido com a educação do sujeito e da sociedade, com o jovem profissional informata gerado pelo espírito do nosso tempo. (pag. 13)
Então é preciso enfatizar: o essencial não é a tecnologia, mas um novo estilo de pedagogia sustentado por uma modalidade comunicacional que supõe interatividade, isto é, participação, cooperação, bidirecionalidade e multiplicidade de conexões entre informações e atores envolvidos. Mais do que nunca o professor está desafiado a modificar sua comunicação em sala de aula e na educação. Isso significa modificar sua autoria enquanto docente e inventar um novo modelo de educação. Como diz Edgar Morin, “Hoje, é preciso inventar um novo modelo de educação, já que estamos numa época que favorece a oportunidade de disseminar um outro modo de pensamento”. A época é essa! : a era digital, a sociedade em rede, a sociedade de informação, a cibercultura. (pag. 15)



FICHAMENTO: AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS/ COMUNICACIONAIS DA DOCÊNCIA ONLINE NO MUNDO CONTEMPORÂNEO.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE: DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO


FICHAMENTO: AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS/ COMUNICACIONAIS DA DOCÊNCIA ONLINE NO MUNDO CONTEMPORÂNEO.
Maria da Conceição Alves Ferreira


A docência, por meio do uso da tecnologia digital e, particularmente, da internet, está contribuindo sobremaneira no crescimento dos processos educativo/formativos e comunicacionais, pois exige “um pensar junto” e não apenas um “penso” na lógica do falar/ditar, um/todos. Dessa forma, acrescenta desafios e novas perspectivas para os meios formativo/ educativos através da educação e da docência online, tornando os atos pedagógicos paradoxalmente mais complexos. Pag.(162).
A docência torna-se mais complexa porque está incorporando/ integrando competências intelectuais, afetivas, técnicas e éticas que, em outros tempos, eram menos integradas e visíveis nos processos formativo-profissionais dos sujeitos. Pag.(163).
No universo da educação superior no Brasil, na época da publicação da LDB, 1998, apenas a Universidade Federal do Mato Grosso oferecia um curso de graduação à distância, em caráter experimental, direcionado para a formação de professores do ensino fundamental da rede pública, além de outras ofertas no formato de cursos de extensão. Entretanto, a partir de 2002, observou-se um crescente envolvimento das instituições de ensino superior com cursos de educação a distância, revelando o aumento de credenciamento e autorização de cursos superiores de educação a distância, como mostra a tabela abaixo: pag. (163).
Número de autorização de cursos a distância emitidos pelo Mec – 2002 a 2007 Indicador 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Instituições credenciadas 46 52 107 189 349 408 Fonte: Censo da Educação Superior, Mec, Inep e Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior, 2007. Pag. (164).
Criação de instituições exclusivamente virtuais – instituições privadas criadas com o fim exclusivo de oferecer cursos a distância, operando apenas com cursos livres. As ofertas disponibilizadas por instituições de educação mais consagradas, como as universidades federais, vêm se dando de forma mais lenta, tendo em vista a preocupação com a qualidade, levando grande parte dos professores a reagir ao modo não presencial de ensino-aprendizagem. Passou-se a ouvir muito a seguinte questão: você acredita ou não na educação a distância? Naturalmente que a introdução da tecnologia online na educação representa uma mudança drástica, desafiando professores e alunos a novos processos, novas crenças, a novas formas de relacionamento. Pag. (164).
As instituições que foram criadas com este fim, exclusivamente virtual, adentraram ao mercado de forma ousada, trazendo um discurso de inovação, mas, por outro lado, estão também causando desconfianças, tensão e perplexidade, pois a promoção da educação online ainda se constitui um processo desafiador e enigmático. Dessa forma, como salienta Santos (2005, p. 108), “a educação online não é apenas uma evolução das gerações da Ead, mas um fenômeno da cibercultura”. Pag. (165).
Apesar das controvérsias, é evidente que a educação através das mídias conectadas é uma tendência cada vez mais presente no nosso cotidiano e se destaca enquanto processo irreversível. Do ponto de vista de modelos pedagógico/comunicacionais, o cenário contemporâneo apresenta tendências de cursos que permeiam o universo educativo brasileiro e o de países envolvidos nessa perspectiva. Dentre elas, podemos descrever: pag.(166).
 ● Cursos programados para alunos individualmente, os chamados cursos de instrução programada. Pag. (166).
Temos cursos instrucionais, baseados em materiais disponibilizados online através de mídias de animação, pequenos vídeos, textos, hipertextos, gravações em áudio e atividades que o aluno realiza durante um período predeterminado e envia os resultados dessas atividades a um centro e/ ou instituição que corrige, de forma automática, e atribui um conceito/ nota que permite que o aluno passe para o próximo percurso. Pag. (166).
● Cursos para pequenos grupos
Existem cursos online organizados por atividades, que permitem tarefas individuais e em grupos, incentivam a participação em determinados momentos, mas ainda estão centrados no material e nas atividades propostas, com apoio de professores, orientadores, coordenadores e outros colegas. Pag. (166).
● Cursos para grandes grupos
A proposta dos cursos para grandes grupos busca atender a muitos alunos ao mesmo tempo. Percebe-se que existem duas vertentes dessa tendência: a primeira vertente disponibiliza material instrucional já formatado pela instituição gestora, o professor se posiciona como avaliador de atividades com a ajuda de um tutor local e “agendador” de atividades e períodos de realização dessas. Pag.(167).
● Disciplinas para cursos de licenciatura com caráter semipresencial
A proposta de inclusão de disciplina dedicada ao ensino e aprendizagem de forma virtual foi inaugurada pela possibilidade oferecida pela LDB 9.394/96 (BRASIL, 1996) e pela Portaria n. 4.059, de 10 de dezembro de 2004, desde que não ultrapasse 20% da carga hora horária total do curso. Essa proposta foi um avanço porque se caracterizou como um processo legitimador de utilização de disciplinas a distância para alguns pesquisadores que estavam desenvolvendo experiências dessa forma, criando um novo espaço de ensino e aprendizagem virtual, complementar ao da sala de aula. Pag.(168).
Para adentrar a questão central do estudo sobre a docência online, torna-se necessário discorrer sobre a docência enquanto construção social e histórica. Atualmente, esta se encontra num momento de indefinição, podendo-se dizer de falta de identidade, permeada pela divisão entre a teoria e a prática, o técnico e o político, o ensinar e o aprender, o planejar e o executar, como se fossem coisas separadas ou, ainda, compartimentadas. Pag.(168,169).
O ato de ensinar, assim como o de aprender, está presente na vida humana desde os tempos mais remotos, pois, para sobreviver nas adversidades do mundo dito primitivo, o homem/mulher precisava desenvolver habilidades como caçar, proteger-se do frio, do calor, comunicar-se, entre outras. E, para isso, algumas habilidades foram ensinadas/aprendidas de geração para geração. Todavia, a partir do desenvolvimento de interações mais complexas com o meio ambiente, como a emergência da linguagem e da escrita, percebeu-se que outros savoir faire também precisavam ser aprendidos/ensinados, além das necessidades biológicas. Pag. (169).
No contexto da educação online, a docência toma rumos/tendências diversos(as). Dentre eles podemos salientar as dimensões proporcionadas pelos saberes pedagógicos e comunicacionais. “Tendência”, do latim tendentia, significa tender para, inclinar-se para, ser atraído por... Pag.(170).
De acordo com Tardif (2002, p. 37), “a prática docente não é apenas um objeto de saber das ciências da educação, ela é também uma atividade que mobiliza diversos saberes que podem ser chamados de pedagógicos”, pois são incorporados à formação profissional dos professores ou muitas vezes pelo saber-fazer cotidiano desses profissionais. Pag.(170).
Segundo Moran (apud SILVA, 2003, p. 39), a educação online é “[...] conjunto de ações de ensino-aprendizagem desenvolvidas por meios telemáticos, como a internet, videoconferência e a teleconferência”. Pag.(171).

 Uma proposta de formação pedagógica para a docência online ainda precisa amparar-se em pressupostos comunicacionais dialógicos, pois o que caracteriza a comunicação como diálogo é o ato comunicativo, de comunicar, comunicando-se. Pag.(171).
 De acordo com Freire (2002, p. 66), “o sujeito pensante não pode pensar sozinho; não pode pensar sem a co-participação de outros sujeitos no ato de pensar sobre o objeto”. Assim, a educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transmissão de saber. Segundo Freire (2002, p. 69) “é um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados.” Pag.(171).
Muitas são as instituições públicas e privadas que estão ofertando cursos de graduação, pós-graduação e na modalidade extensão no contexto brasileiro. Destacamos, dentre outras, a experiência do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) com os cursos em Especialização em Educação a Distância (EAD), Tutoria online e curso de extensão como possibilidades de Educação online no contexto baiano. Pag.(171).

Entretanto, a educação online apresenta um redesenho da formação de professores, da docência, e indicam muitas possibilidades como a interatividade, a simultaneidade, acompanhamento sistemático das atividades propostas, flexibilidade e criatividade no ato educativo, buscando assim a tão sonhada educação de qualidade pretendida por todos nós. Pag.(173).

Fichamento de Co-laboração na/em rede.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE: DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO


FICHAMENTO: A CO-LABORAÇÃO NA/EM REDE.
Lynn Alves / Ricardo Japiassu / Tânia Maria Hetkowski

Estamos interconectados com o mundo. É essa a sensação que temos ao sermos bombardeados de informações que são veiculadas pelas diferentes mídias impressas, sonoras, televisivas e telemáticas. A Galáxia de Gutemberg vem sendo, nos últimos quarenta anos, invadida por uma nova forma de comunicar, de produzir conhecimentos e saberes - a comunicação através das redes digitais e, em especial, da Internet [1] que, desde as experiências iniciais da Arpanet (EUA) e do Minitel (França), vem crescendo vertiginosamente. Isso torna impossível apontar, nesse momento, dados numéricos deste crescimento que está em constante mutação. Pag.(01)
Nestes últimos tempos, o computador tornou-se algo mais do que um misto de ferramenta e espelho: temos agora a possibilidade de passar para o outro lado do espelho. Estamos a aprender a viver em mundos virtuais. Por vezes, é sozinhos que navegamos em oceanos virtuais, desvendamos mistérios virtuais e projetamos arranha-céus virtuais. Porém, cada vez mais, quando atravessamos o espelho, deparam-se-nos outras pessoas. Pag.(01)
É importante revelar que o entendimento do processo de construção co-laborativa do conhecimento cuja ênfase recai em suas origens sociais e históricas, isto é, num conhecer orientado inicialmente no sentido do coletivo para o sujeito, não emerge apenas com o amplo uso instrumental das mídias telemáticas na Educação nem tampouco constitui uma abordagem "nova" aos processos de aprendizado e desenvolvimento humanos. Pag.(01).
Trata-se de uma perspectiva que, embora esteja sendo cada vez mais adotada por estudiosos para o exame das complexas relações entre Educação e Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), [1] inaugura-se já na década de 1920 do século passado com a formação da escola russa de psicologia - também conhecida como psicologia sócio-histórica e psicologia histórico-cultural ou ainda psicologia cultural. Pag.(01).
 Iniciada por Vygotsky [2] e posteriormente desenvolvida por Luria [3] e Leontiev [4] - entre muitos outros cientistas russos - a psicologia histórico-cultural defende que o aprendizado e o desenvolvimento tipicamente humanos só podem ocorrer a partir da internalização (interiorização) das funções interpsíquicas (entre sujeitos). Estas funções interpsíquicas são co-laboradas (construídas conjuntamente) e mediadas por ferramentas concretas (machado e computador, por exemplo) e instrumentos psicológicos de natureza imaterial (como é o caso do uso de signos na comunicação e pensamento verbal). Pag.(02).
Na perspectiva cultural de interpretação do desenvolvimento humano portanto é a partir das complexas interrelações sociais (microgênese) e históricas (macrogênese), obrigatoriamente MEDIADAS pelo uso instrumental das ferramentas e signos ao longo da filogênese (percurso evolutivo inter-espécies) e da ontogênese (percurso desenvolvimental intra-espécie), que se criam enfim as condições materiais e imateriais para a co-laboração das funções psíquicas "superiores" ou funções psíquicas culturais (a mnemotécnica, a imaginação criadora, a percepção descolada do campo perceptivo sensorial do sujeito, o pensamento verbal, por exemplo). [5]. Pag.(02).
A prática pedagógica, quando mediada pelas TIC, altera a função educacional do professor e a sua compreensão do contexto educativo - o qual é necessariamente (in)formado por diversas outras práticas cotidianas (política, ética, econômica etc). Essas práticas orientam e deflagram as ações dos professores e imprimem significados à vida profissional dos docentes. Em suas práticas pedagógicas os profissionais da educação representam, consciente ou inconscientemente, divergências e/ou convergências para com as mudanças macro e microcontextuais. Pag.(02).
Os mecanismos subjacentes às suas representações sociais são intensamente penetrados pelos interesses, ideologias, dilemas, conhecimentos, crenças, persuasões e outros vários fatores. Estes mecanismos produzem portanto saberes que legitimam as práticas no/do contexto sociocultural no qual os professores se encontram aconchegados - e com o qual interagem ativamente. Por sua vez, dialeticamente, o contexto sociocultural de que são parte proporciona - e legitima - a sua co-laboração insubstituível e pessoal de valores e sentidos. Pag .(02,03).
Portanto, as TIC entram na escola como dispositivos técnicos e as práticas pedagógicas continuam pautadas em velhos paradigmas, apenas com uma diferença: retira-se a centralidade do professor transferindo-a para as TIC. Essa transferência é preocupante, sendo imprescindível discutirem-se possibilidades de inversão da lógica perversa desta hierarquia vertical dominante, para superar-se assim a "passividade" na apropriação de saberes. O ciberespaço, deste ponto de vista, precisa então ser concebido como lugar de inovação, de co-laboração social, política e de mobilidade das práticas pedagógicas. Afinal, as práticas pedagógicas desenvolvem-se em contextos muito amplos, não são unívocas nem lineares; são fluidas e levam em consideração situações muito peculiares para o estabelecimento de processos comunicativos. Pag. (03).
Recorrer a esses eixos norteadores significa reconhecer que a mudança na educação "não depende diretamente do conhecimento, porque a prática educativa é uma prática histórica e social que não se constrói a partir de um conhecimento científico, como se tratasse de uma aplicação tecnológica." [5] (SACRISTÁN). Qualquer mudança implica a dialética conhecimento-ação. Trata-se de algo inerente a toda atividade humana - a qual interconecta-se com vários contextos onde, por sua vez, acontecem múltiplas práticas. Significa, em outras palavras, dizer que as práticas pedagógicas não são lineares, mas dinâmicas e potencializadoras do conhecimento mediado pelas TIC. Pag.(03,04).
A literatura especializada costuma justificar a "recusa" de educadores e educandos em fazerem uso deste tipo de ambiente para promoção da atividade co-laborativa atribuindo-a, basicamente, a três fatores: (1) os sujeitos têm que aprender a lidar com a diferença, o que sempre é algo complexo; (2) esses ambientes solicitam posturas intelectuais autônomas e processos co-laborativos de/em grupo (algo que a escolarização tradicional tem falhado em promover); e (3) as pessoas necessitam apropriar-se dos recursos informáticos e suportes tecnológicos - o que, para muitos, é algo novo e ainda distante das suas competências econômicas e culturais. Pag.(04).
A atividade pedagógica mediada pelas redes digitais proporciona então a criação de novas práticas instituintes. Mas, embora a atividade pedagógica instituinte tenha raízes nas práticas educacionais já institucionalizadas, ao mesmo tempo, contraditoriamente, apresenta-se como desafio ao status quo . Um desafio que converte-se em movimento instituinte por solicitar dos agentes pedagógicos  a transgressão do movimento "linear" de ensinar e aprender, ou seja, por gerar a necessidade de mudança nas práticas pedagógicas. Pag.(04).
É importante ressaltar também que as dificuldades para a implementação do auto-aprendizado assinaladas aqui não dizem respeito apenas às comunidades telemáticas (CVA). Elas existem e persistem no cotidiano das relações pedagógicas presenciais, seja nos espaços de ensino-aprendizado formais , isto é, no âmbito das organizações educacionais, seja em diferentes espaços de aprendizado - como a rua, por exemplo. Pag.(05).





Co-laborando o aprendizado autônomo
http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/colaborativo/img/04.jpg
Cotidianamente vemos emergir novas CVAs na/em Rede (WEB). Contudo, observa-se que os agrupamentos de sujeitos mediados pelas TIC tendem a desaparecer com a mesma rapidez com que surgem. Acredita-se que isso ocorra em razão de, no âmbito desses e-coletivos, não serem promovidas práticas genuinamente co-laborativas. A efemeridade das CVAs é uma questão que, efetivamente, necessita ainda ser melhor e exaustivamente investigada. Pag.(05).
Na configuração política, social, econômica e educacional excludente atual, típica da pós-modernidade, a co-laboração em/na Rede pode ser, contraditoriamente, uma alternativa às tradicionais práticas autoritárias que têm caracterizado as relações de poder nas organizações e empreendimentos educativos no capitalismo tardio. Pag.(06).
A co-laboração na/em Rede, sem dúvida, pode contribuir para a emancipação do sujeito engajando-o em um genuíno processo de construção autônoma de novos conhecimentos e saberes. Ao deparar-se com a voz e os enunciados do OUTRO, em e-coletivos que estejam abertos à uma participação "horizontal" de todos, o aprendiz põe em movimento a sua capacidade de tolerar o pensamento divergente, de respeitar as crenças e convicções dos diferentes grupos humanos e de considerar legítimos os pontos de vista da alteridade - de modo não submisso no entanto. Pag.(06).
Os sujeitos em CVAs que promovem a co-laboração são potencialmente pares, co-autores e co-construtores de inúmeros processos de criação, atuação e significação. Isso favorece a consolidação de uma inteligência coletiva que se caracteriza "por ser globalmente, distribuída, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que conduz a uma mobilização efetiva das competências." [5] Que possui como "palavras de ordem" os seguintes aforismas: cada um tem um saber, ninguém sabe tudo e todo o saber está na humanidade. Pag.(06).
A co-laboração portanto implica o desenvolvimento de processos interacionistas que visam encorajar os sujeitos a atuarem em conjunto para a construção de diferentes conhecimentos e saberes, enfatizando a co-autoria (DIAS).  Pag.(07).
Nessa perspectiva, a contribuição pessoal do aprendiz é fundamental para a construção do conhecimento. Isso faz com que o processo de aprendizado de todos ganhe maior amplitude e dimensão. (OKADA). [8] A metáfora dos corais, neste caso, é oportuna porque "para entender a noção de comunidade virtual, acho que devemos saber que ser uma esponja pode ser até algo bom, mas não ajuda a construir a comunidade: os corais constroem a comunidade pela secreção de cada indivíduo e pela ajuda mútua. J " [9]. Pag.(07).
A atividade co-laborativa genuína só pode ocorrer a partir da premissa da interatividade - interatividade aqui entendida de modo a ultrapassar a relação solitária do sujeito com as interfaces e seus agentes humanos e artificiais. É só através da interatividade que pode ocorrer a participação criativa dos usuários nos sistemas e - o mais importante - realizar-se a interação e as trocas entre os membros de uma comunidade. Pag.(07).
Só na perspectiva das "razões qualitativas" teríamos portanto a possibilidade de alcançar aquilo que Lèvy [12] denominou de "terceiro nível de interatividade", uma comunicação não mais do tipo Um-Todos , nem Um-Um , mas do tipo Todos-Todos , em que os sujeitos poderiam livremente trocar, negociar e intercambiar diferentes saberes ao mesmo tempo. Pag.(07).
Atuar co-laborativamente vai além de tomar parte nos desgastados "trabalhos em grupo" - que tiveram ampla divulgação com a difusão, penetração e corruptela das idéias renovadoras da Escola Nova nas práticas educacionais nacionais. [21] No escolanovismo, entre outros princípios pedagógicos, destacam-se técnicas de ensino nas quais os alunos são encorajados a realizar tarefas em grupo. Essas técnicas - ao serem implementadas na escolarização - ressaltam sobretudo os aspectos afetivos do processo de ensino-aprendizado. Isso teria conduzido - segundo algumas análises críticas da Escola Ativa - a um "psicologismo" exarcebado das práticas pedagógicas escolares no país, esvaziando-as dos seus originais conteúdos sociais, políticos e econômicos. Pag.(08).
http://www.comunidadesvirtuais.pro.br/colaborativo/img/05.jpg
Cooperação e co-laboração
Na década de setenta Johnson e Johnson desenvolveram um método de aprendizado cooperativo denominado “aprender juntos”. Para esses pesquisadores a cooperação fundamenta-se no desempenho de uma tarefa em grupo com um único objetivo em comum. [1]

Segundo Espinosa,
No grupo colaborativo todo o conhecimento é construído conjuntamente e negociado, havendo um fluxo de comunicação bidirecional contínuo. Enquanto no grupo cooperativo a comunicação pode ser unidirecional, isto é, quando algum aluno assume um papel de expertise, explicando determinadas idéias ao grupo, e em outros momentos é multidirecional, quando os membros do grupo buscam alternativas e tomam decisões. Na cooperação se produzem consultas sobre o feito de cada um e a colaboração vai se fazendo conjuntamente ... A colaboração seria equivalente ao que anteriormente temos definido como situações de alta cooperação (terminologia de Hertz-Lazarowitz) ou grupos cooperativos de alto rendimento (segundo denominação de Johnson, Johnson e Holubec). (p. 110-111). Pag.(09,10).
Neste sentido Ovejero citado por Almenara (2003) [8] chama a atenção para o fato de a atividade co-laborativa levar em conta o princípio geral da intervenção - que não se refere ao simples somatório das contribuições pessoais mas, ao contrário, à interação omnilateral no âmbito da CVA, em busca do alcance de objetivos previamente negociados no/pelo e-coletivo. Portanto um sujeito somente conseguiria obter verdadeiro êxito pessoal neste tipo de empreendimento pedagógico se os demais participantes estiverem sinceramente engajados no processo dialógico da co-laboração de saberes e práticas na/em Rede (interdependência positiva). Pag.(10).
Espinosa resume esses três pressupostos da atividade colaborativa ao afirmar que “o trabalho colaborativo exige dos participantes habilidades comunicativas; técnicas interpessoais; relações simétricas e recíprocas; desejos de compartilhar a resolução da tarefa (responsabilidade individual no alcance do êxito do grupo).” [10]. Pag.(11).






 














terça-feira, 5 de janeiro de 2016

POEMA TRADUZIR.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS - DCHL
CURSO PEDAGOGIA
DOCENTE: MARIA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE: DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA





TRADUZIR


Me chamo Débora,
Nasci na cidade de Ipiaú-Ba,
Moro com minha mãe,
Tenho cinco irmãos.

Faço o curso de Pedagogia-Uesb,
Gosto desse curso.
Espero chegar até o fim do curso.

Gosto de sair com meus amigos,
Porém tem momentos que prefiro.
ficar só.

Sou amável, doce, meiga, com todos,
porém se fazer algo que eu não gosto.
mostro o outro lado que eu tenho, que
que ão é tão amável.













sábado, 5 de dezembro de 2015

FICHAMENTO DO TEXTO: CIBERCULTURA.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS HUMANAS LETRAS – DCHL
DOCENTE: MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA
DISCENTE: DÉBORA SANTOS DE OLIVEIRA
3º SEMESTRE DE PEDAGOGIA NOTURNO


FICHAMENTO DO TEXTO: CIBERCULTURA.
 Lemos, André; Cunha, Paulo (orgs). Olhares sobre a Cibercultura. Sulina, Porto Alegre, 2003; pp. 11-23.

Um primeiro problema que se apresenta é em relação à própria definição de Cibercultura. O termo está recheado de sentidos, mas podemos compreender a cibercultura como a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70. (p.1).
A cibercultura é a cultura contemporânea marcada pelas tecnologias digitais. Vivemos já a cibercultura. Ela não é o futuro que vai chegar mas o nosso presente (home banking, cartões inteligentes, celulares, palms, pages, voto eletrônico, imposto de renda via rede, entre outros). Trata-se assim de escapar, seja de um determinismo técnico, seja de um determinismo social. A cibercultura representa a cultura contemporânea sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna. (p.1-2).


Não se trata de identificar pessimistas, otimistas ou “realistas”, até porque ser otimista ou pessimista é uma prerrogativa individual. O que importa é evitar uma visão de futuro que seja utópica ou distopia e nos concentramos em uma fenomenologia do social, ou seja, nas diversas potencialidades e negatividades das tecnologias contemporâneas. ( p.2).
  Não podemos compreender a cibercultura sem uma perspectiva histórica, sem compreendermos os diversos desdobramentos sociais, históricos, econômicos, culturais, cognitivos e ecológicos da relação do homem com a técnica. A cibercultura nasce no desdobramento da relação da tecnologia com a modernidade que se caracterizou pela dominação, através do projeto racionalista-iluminista, da natureza e do outro. Se para Heidegger (Heidegger, 1954) a essência da técnica moderna estava na requisição energético-material da natureza para a livre utilização científica do mundo, a cibercultura seria uma atualização dessa requisição, centrada agora na transformação do mundo em dados binários para futura manipulação humana (simulação, interatividade, genoma humano, engenharia genética, etc.). (p.2).
Cada transformação midiática altera nossa percepção espaço temporal, chegando na contemporaneidade a vivenciarmos uma sensação de tempo real, imediato, “live”, e de abolição do espaço físico-geográfico. A sociedade da informação é marcada pela ubiquidade e pela instantaneidade, saídas da conectividade generalizada. Entramos assim em uma sociedade WYSIWIG (o que vejo é o que tenho) onde a nova economia dos cliques passa a ser vital para os destinos da cibercultura: até onde devemos clicar participar, opinar, e até quando devo contemplar ouvir, e simplesmente absorver? O tempo real pode inibir a reflexão, o discurso bem construído e a argumentação.  Por outro lado o clique generalizado permite à potência da ação imediata, o conhecimento simultâneo e complexo, a participação ativa nos diversos fóruns sociais. (p. 3).  
A cibercultura nos coloca também diante de problemas linguísticos e conceituais e não é por acaso a crescente utilização de metáforas para descrevermos os seus diferentes fenômenos. O que significa uma “Home Page”? E a interface chamada de “desktop”? As redes telemáticas, constituem o que chamamos de ciberespaço, mas trata-se mesmo de um espaço? Vários conceitos emergem associados às novas tecnologias, mas tratar-se-ia de atualizações de experiências comuns em diversas atividades humanas, como a ideia de interatividade, de simulação, de site (sítio), de virtual? (p. 4.).
Podemos dizer que a Internet não é uma mídia no sentido que entendemos as mídias de massa. Não há fluxo um - todos e as práticas dos utilizadores não são vinculados a uma ação específica. Por exemplo, quando falo que estou lendo um livro, assistindo TV ou ouvindo rádio, todos sabem o que estou fazendo. Mas quando digo que estou na internet, posso estar fazendo todas essas coisas ao mesmo tempo, além de enviar email, escrever em blogs ou conversar em um chat. Aqui não há vinculo entre o instrumento e a prática. A internet é um ambiente, uma incubadora de instrumentos de comunicação e não uma mídia de massa, no sentido corrente do termo. (p. 5).
  Muito se tem falado do anonimato e da ausência de referência física como um dos fatores principais dessas novas práticas sociais. Muito se tem falado também do perigo e da dificuldade em se estabelecer relações de confiança em formas midiáticas online. Obviamente que questões inéditas surgem comprovadas através de certo lastro empírico, mas as diferenças devem ser matizadas já que várias práticas guardam similitudes com as formas sociais e os papéis que desempenhamos no dia a dia fora da rede. A relação face a face guarda similitudes com as relações online. (p. 6).
Os artistas exploram muito bem essa reconfiguração do corpo, como por exemplo o australiano Stelarc ou a francesa Orlan. No fundo, buscam problematizar a própria idéia de um corpo único, imutável e natural. Para Stelarc, na cibercultura, o corpo torna-se obsoleto. Passa a ser esse o lema da época, mesmo que reedite a máxima separação cartesiana entre corpo e espírito. Na cibercultura, entramos na fase de colonização interna do corpo com próteses e nano máquinas, correlata à explosão de transformações subjetivas através dos atuais piercings, tatoos, ou formas extremas de androgenia. (p. 7).
Câmeras de vídeo-vigilância, spams, monitoração de acesso a sites, invasão de privacidade, bancos de dados com informações personalizadas, violação de direito de autor, entre outras, tudo isso não é o quadro de um filme de ficção científica, mas o estado atual da cibercultura no quotidiano. (p. 7.).
Várias formas de ação política são atualmente praticadas tendo como objetivo alertar a população e impedir ações que atingem a liberdade de expressão e a vida privada. Por exemplo, diversas manifestações aconteceram ao redor do mundo contra a segunda guerra do Iraque e outras acontecem diariamente a favor dos softwares livres, da livre circulação de bens simbólicos através de manifestos, invasões, desfigura mentos de sites. O que está em jogo é a crescentes transformações na relação entre o espaço público e o espaço privado. (p.7.).
 Uma primeira lei seria a lei da Reconfiguração. Devemos evitar a lógica da substituição ou do aniquilamento. Em várias expressões da cibercultura tratam-se de reconfigurar práticas, modalidades midiáticas, espaços, sem a substituição de seus respectivos antecedentes. (p.8.).
Devemos assim estar abertos às potencialidades das tecnologias da cibercultura e atentos às negatividades das mesmas. Devemos tentar compreender a vida como ela é e buscar compreender e nos apoderar dos meios sócio técnicos da cibercultura. Isso garantirá a nossa sobrevivência cultural, estética, social e política para além de um mero controle maquinizo do mundo. Para os que sabem e querem olhar, nas diversas manifestações socioculturais da cibercultura contemporânea podemos constatar que ainda há vida para além da articialização total do mundo. O fenômeno ainda está em sua pré-história e esse objeto dinâmico se transformará com certeza. Afirmamos que hoje, o nosso presente é imune às assepsias e controles generalizados.   Há ainda vida na técnica e não o deserto técnico do real. (p.9.).